Obesidade

gothsonn 29 de janeiro de 2018 Nenhum comentário

Obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro utilizado mais comumente é o do índice de massa corporal (IMC), que é calculado, dividindo-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. Se o resultado ficar entre 18 e 24,9 considera-se que a pessoa está com o peso normal para o seu corpo; de 25 a 29,9 está com sobrepeso e a partir de 30, com obesidade.

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O Brasil, que até pouco tempo lutava para combater a fome e a desnutrição, agora precisa conter a obesidade, que vem se tornando um problema cada vez mais epidêmico em todo o mundo. De acordo com os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), uma em cada 5 pessoas, no Brasil, está acima do peso.  

O conhecimento atual mostra que as causas para o crescimento da obesidade são multifatoriais. A maioria dos casos ocorre devido a uma alimentação hipercalórica, rica em alimentos industrializados, que apesar de serem práticos, costumam conter grande quantidade de sal, gordura e açúcares que, em abuso, são prejudiciais à saúde,  elevam os níveis de colesterol ruim, aumentam os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial. Outro fator importante é o sedentarismo, que está aliado ao uso excessivo de aparelhos eletrônicos como TV, computador e celular. Foi evidenciado que o tempo que passamos sentados, sem nos movimentar, utilizando estes eletrônicos, incluindo o tempo gasto dirigindo, está diretamente relacionado à ingestão calórica, portanto, quanto maior o tempo gasto com aparelhos eletrônicos, maior é o consumo de calorias ao longo do dia.

Apesar do aumento da incidência da obesidade e dos problemas relacionados à mesma,  não é abordada de maneira adequada. Vários estudos têm demonstrado que a obesidade está fortemente associada a um risco maior de desfechos, sejam cardiovasculares, câncer ou mortalidade. No estudo da National Health and Nutrition Examination Study III (NHANES III), que envolveu mais de 16 mil participantes, a obesidade foi associada a um aumento da prevalência de diabetes tipo 2 , doença da vesícula biliar, doença arterial coronariana, hipertensão arterial sistêmica, osteoartrose  e de dislipidemia. Há também desequilíbrios psicológicos associados como a bulimia, ansiedade, depressão, estresse.

O tratamento da obesidade compreende uma abordagem multidisciplinar, com endocrinologista, educador físico, psicólogo e nutricionista,  fundamentais para o sucesso do paciente.

A mudança do estilo de vida, que compreende reeducação alimentar e atividade física, é a base do tratamento clínico da obesidade.

 Os benefícios da atividade física são inúmeros, porém, eles ocorrem em longo prazo, e, portanto, os exercícios devem ser ao mesmo tempo eficientes e motivantes, para que se garanta a adesão ao programa de treinamento. Da mesma forma, dieta com grandes restrições são difíceis de ser mantidas, logo é fundamental uma reeducação alimentar, pois assim reduziremos a ingestão calórica total e o ganho calórico decorrente. É importante também o tratamento psíquico por meio do apoio psicoterápico.

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O tratamento medicamentoso está indicado, quando há dificuldade de perda de peso somente com a mudança do estilo de vida ou quando existe necessidade de ajudar a tratar certos comportamentos alimentares. Os medicamentos utilizados no controle da obesidade foram desenvolvidos para serem utilizados em conjunto com modificações de estilo de vida (hábitos alimentares e prática de atividade física) e não isoladamente. Nos casos em que a obesidade traz prejuízos à saúde e o tratamento clínico se mostra ineficaz, a cirurgia bariátrica deve ser considerada.

A obesidade é uma doença e deve ser tratada!

 

Dra. Christiane Brito
Endocrinologista
CRMMA 6390 | RQE 2805